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4 de jun de 2013

Histórias do Knightmare II - O Conhecimento e Você


Em abril deste ano, lemos as memórias de Knightmare acerca da criação da origem do Tibia. Ele deixou-nos fazer parte de seus pensamentos e teorias daquela época. Este mês, Knightmare veios nos satisfazer contando suas ideias de entrega do conhecimento tibiano e suas diferentes histórias, para vocês, tibianos.

...Escrever conhecimento é uma coisa. Agora, aprensentá-lo adequadamente é um trabalho muito diferente e difícil. É ainda mais complicado pelo fato de que não dá para atender a todos os gostos. Independentemente do que você faça, você nunca irá agradar todo mundo ao mesmo tempo.

Há diferentes abordagens para fornecer conhecimento para os jogadores em jogos online. É extremamente raro encontrar uma forma pura de apresentação da história de fundo de um jogo. A maioria dos jogos mistura e combinam diferentes estilos, o que provavelmente é uma coisa boa, como iremos ver.

O proposito de "histórias de fundo" é mostrado com o próprio termo. Elas servem como um plano de fundo, mas também são histórias. A coisa é que a história tem que ser de alguma forma envolvente ao ponto que não seja descartada ou esquecida por seus leitores. Fazer algo envolvente é mais que complicado, e não há diretrizes que garantem que sua historia é classificada como importante e envolvente, ou ainda, como "épico" em seu sentido original.

A palavra "épico" foi usada tão massivamente, tão exageradamente, que perdeu seu impacto ao longo do tempo. Com o tempo, o uso abusivo e desavergonhado tem rebaixando o termo de seu significado "importante, instigador e fora dos padrões" para simplesmente "muito bom". Está se tornando tão comum dizer que algo é épico que é quase como uma admissão de fracasso entregar uma história sem esse rótulo.
De fato, é mais importante entregar uma decente e esperançosamente envolvente do que sujeitar a escrita a diferentes gostos. Você não fará algo épico apenas por simplesmente colocar um rotulo nele. Pelo menos não no domínio da narração, embora pareça funcionar muito bem quando se trata de smartphones e similares. Ainda que afirmando repetidamente o quão épico é sua história, isso não fará dela uma narração melhor. Se cada jogo é anunciado como épico, ele só se mantem como tal após os indivíduos analisarem o impacto que o jogo causa neles.
Seja como for, os consumidores adotaram o termo e acrescentaram ao vocabulário casual deles, apagando ainda mais o sentido original do termo - nesse caso com um pouco de mais de validade, porque pelo menos se alguém se sente realmente envolvido com alguma coisa, o uso do termo faz algum sentido.

Então, você pode ter uma abundância de conhecimento popular para um mundo, quer isso seja épico ou não. A questão crucial agora é: como você obtém o conhecimento popular dos jogadores? Ler livros no jogo e extrair ao máximo pequenas informações dos NPCs não fazem o estilo de todos os jogadores. Você não pode de fato culpar as pessoas por não lerem longos textos no jogo. Eles jogam o o jogo para jogar, afinal de contas. Se eles quisessem ler, eles teriam escolhido ler um livro, em primeiro lugar. Um modo melhor do que apresentar textos, seria a de trazer um narrador online lendo livros enquanto o jogador continua jogando. No entanto, uma grande parte da comunidade provavelmente iria desligar essa função eventualmente e, assim, iriam perder uma grande parte da estória.
Por fim, trazer estórias para a comunidade depende de dois tipos de jogadores: o aventureiro curioso e o pesquisador curioso. Os dois tipos investem o tempo no jogo naquilo que mais os interessam.
O aventureiro típico não gosta muito de ler textos no jogo ou então reunir informações, ele se importa com o contexto de suas aventuras em certo grau. Ele é curioso o bastante para procurar certas coisas nos fóruns de discussões ou então nas páginas wiki. Aqui entra o pesquisador. Para ele, foruns e wikis são locais ideais para apresentar seus achados à outros jogadores. Até mesmo o chat do jogo fornece à eles a oportunidade de falar a respeito de suas pesquisas e achados. Desse modo, as estórias de fundo encontram seus caminhos através de mais pessoas, também outros tipos de jogadores, aqueles que não gostam de ler os livros no jogo ou então escutar longas estórias dos NPCs.
É claro, esse método tem os seus próprios problemas. O mais comum é que informações equivocadas ou falsas facilmente se tornam fatos comumente aceitos e, portanto, tendência dominante. No entanto, nada existe que não possa ser corrigido por um NPC ou um livro, posteriormente.

Uma coisa que jamais iria funcionar em jogos é forçar a leitura e compreensão das estórias para os jogadores, ou então esperar que eles a conheçam por completo. Para a maioria das pessoas é mais comum ter diversão para compreender o contexto em que eles estão inseridos, mas se isso não é importante para você ou então não adiciona algo que você gosta, é perfeitamente aceitável continuar jogando apenas pelo o que se vê.
Portanto, quando as estórias de fundo representam um bônus opcional, se torna algumas vezes difícil para os desenvolvedores saberem se livros ou então NPCs são realmente necessários ou não e quanto tempo deve ser disponibilizado à eles.

Áreas que na verdade contam a estória por elas próprias, sem o uso de qualquer texto, são um tanto quanto difíceis de se implementar no Tibia com as mecânicas dadas, portanto elas são um tanto quanto raras. Por exemplo, você pode encontrar cavernas no jogo em que você irá saber logo ao entrar e à primeira vista - sem a necessidade de ler nada - que ali algo summonado deve ter dado errado. É muito difícil senão impossível de conseguir coisas do tipo nos casos mais complicados. Uma ajuda a mais, como também informações são usualmente necessárias para transmitir uma estória mais complexa.

Se a estória de fundo é profundamente entrelaçada com a questline, é mais provável que os jogadores aprendam sobre ela. O problema aqui é que textos de quest podem se tornar imensamente inchados e, por conseguinte, entediantes na tentativa de levar a estória de fundo com eles. Se esse é o caso, as pessoas provavelmente irão pular o texto todo e apenas procurar o que precisam fazer no quest log. Ao pular o flavour text (expressão comumente utilizada nos jogos de carta para descrever estórias de fundo) eles podem perder algumas informações valiosas, embora aquilo poderia te-los ajudado durante a quest.

Os NPCs são, em geral, mais interativos do que livros, o que deve fazê-los uma boa escolha na hora de entregar uma história. O problema aqui é que a apresentação da história é menos simples do que em um livro. Palavras-chaves podem abranger diversos subtópicos, e é fácil perder o controle e deixar algo importante de lado.
A decisão de usar de usar mais livros ou mais NPCs não é uma decisão fácil, pois os dois podem se adequar aos gostos individuais de alguns jogadores mais do que de outros. O truque aqui, eu acho, é achar uma boa mistura de maneiras possíveis de entregar o pano de fundo das histórias e confiar na cooperação dos jogadores. Eu estou contente que "entusiasmo por conhecimento" geralmente não é uma coisa auto-suficiente, e que, quando um verdadeiro pesquisador desenterra algumas informações vitais, ele ou ela provavelmente quer compartilhá-lo com alguém e pode até gostar de ouvir uma segunda opinião.
Outra dificuldade menos óbvia para decidir qual técnica devemos utilizar, é a forma como a informação se encaixa no contexto do mundo. Estou me repetindo, por isso serei breve. Imaginem que algum tirano ganha um trono através da traição e mata pessoas inocentes, será que ele iria realmente permitir que livros que o descrevem como o tirano mal que ele é existissem? E será que os inimigos não descreveriam o governante “nobre e bom” como o mal? Seria muito suave e enfadonho apresentar livros ou outros textos de uma forma objetiva.

Há também as temidas contradições. Para ser honesto, ao escrever histórias para Tibia há mais de uma década, assume-se o risco de simplesmente esquecer idéias e conceitos introduzidos em algum momento no passado. O vai e vem de muitos contribuintes diferentes faz com que seja ainda mais difícil manter o controle do plano de fundo como um todo.
O conceito de falta de confiabilidade das fontes tibianas realmente vem a calhar se isso acontecer. Contradições podem ser vistas facilmente como equívocos individuais ou mesmo mentiras. Quando eu tomo conhecimento de uma contradição, eu geralmente não substituo um conceito por outro, mas sim procuro uma explicação do porquê de as duas opções poderem ser viáveis e formar um quadro geral melhor. Assim, no melhor dos casos, uma contradição leva a algo maior e melhor. No entanto, geralmente eles são mais um aborrecimento do que uma coisa boa.
Um mundo consistente não é necessariamente o que cada jogador está procurando. No entanto, o impacto negativo de um mundo completamente inconsistente seria sentido por todos.

Quando eu tenho tempo, eu leio e sigo discussões dos jogadores sobre histórias de fundo do Tibia. Às vezes me sinto tentado a apontar um erro no raciocínio ou proporcionar uma passagem do texto fácil de ser obtida, porém que foi obviamente negligenciada na discussão. Eu me contenho, no entanto, uma vez que é provavelmente melhor deixar a natureza seguir o seu curso, por assim dizer.
Imagino que quando você apresenta orgulhosamente um resultado de sua pesquisa, não é muito divertido de ser corrigido por algum sabe-tudo. É muito mais divertido quando os historiadores Tibianos apóiam uns aos outros com informações ou entram em disputas amistosas sobre tais assuntos.

Agora que as histórias estão por aí, o que acontece? Bem, elas são agora as histórias dos jogadores. Alguns podem nomear sua guild com o nome de uma antiga ordem ou uma pessoa importante, outros podem fazer roleplay de um culto, uma escola de filosofia ou uma crença, e outros ainda podem simplesmente se gabar por seus conhecimentos, chamando àqueles que não sabem tanto de “noobs” ;o)

E quanto a você? Está interessado nas histórias do Tibia? Que tal conhecer um pouco sobre a cultura do Tibia? Qual é a sua forma favorita de vivenciar as histórias de fundo? Existem histórias em particular que você gosta? Você já encontrou alguma dessas temidas contradições por conta própria?

Conte-nos no tópico de feedback!
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Texto original em:
Tibia.com

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